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Update Macro: Janeiro

2/5/2025

No início de cada ano, as empresas de investimento inundam o mercado com relatórios de perspectivas, apresentando previsões ambiciosas para o desempenho econômico e dos mercados. As informações contidas nesses relatórios são interessantes, mas seu verdadeiro valor reside mais nas narrativas e emoções que transmitem do que na precisão de suas previsões imediatas.

Prever o desempenho do mercado de ações ou da economia para um período de um ano — um horizonte curto — é, muitas vezes, uma tarefa improdutiva. Grande parte dessas projeções apenas extrapola padrões atuais e, embora ocasionalmente acertem, frequentemente ficam aquém. Compreender o posicionamento e as possíveis mudanças nas estratégias dessas empresas pode oferecer insights valiosos, e este é o nosso objetivo nesta carta de início de ano.

Desafios e Previsões no Novo Ano

Neste ano, prever resultados é ainda mais desafiador devido à imprevisibilidade de uma nova administração nos EUA. Quando as promessas de campanha se deparam com a realidade legislativa, é difícil de estimar quais iniciativas serão implementadas, em que formato e em qual cronograma. Além disso, acreditamos que um dos grandes desafios da bolsa nesse ano é relacionado as expectativas de aumento de lucro das empresas.

A média histórica de crescimento de lucros é de 6,7% por ano, mas, as projeções atuais do mercado ultrapassam os 15% para o ano de 2025. Acreditamos que expectativas altas adicionam um nível extra de complexidade no cenário e deixam brechas para surpresas negativas fazerem preço com maior vigor, principalmente nas principais ações que compõem os principais índices de bolsa. A combinação de perspectivas otimistas e a imprevisibilidade em torno da inflação e da política monetária sugerem que, do ponto de vista histórico, os retornos futuros projetados a partir de fundamentos atuais podem não entregar resultados interessantes como os observados nos últimos dois anos.

Além disso, observamos os desafios crescentes na discussão da atual dívida nacional e as intenções renovadas de se reduzir o déficit governamental, uma grande dúvida é o impacto que isso poderá trazer ao crescimento econômico, o qual nos últimos anos teve grande contribuição de gastos advindos do governo. Em suma, acreditamos que fatores surpresas tem potencial de criar um ambiente de mercado mais volátil que o atual otimismo sugere, e que surpresas e incertezas não faltarão nos próximos dias.

Apesar de nossa abordagem cuidadosa nos últimos dois anos, precisamos reconhecer que 2024 nos surpreendeu em vários aspectos. Embora esperássemos dificuldades no mercado de renda fixa devido ao aumento das taxas de juros, não antecipamos a força dos mercados de ações dos EUA, que registraram seus maiores retornos consecutivos em quase 25 anos. Essa resiliência inesperada, juntamente com o aumento contínuo dos juros dos Treasuries de 10 anos, trouxe desafios para os portfólios de renda fixa e retornos acima do esperado para muitos portfólios de renda variável. Esses acontecimentos ressaltam a importância de mantermos a adaptabilidade em um cenário de mercado em constante mudança.

Os impressionantes resultados do S&P 500 em 2024, consolidaram o desempenho mais forte em dois anos desde a bolha da tecnologia no final dos anos 1990. Os retornos do índice foram amplamente impulsionados pelo aumento nas avaliações, e não por um crescimento robusto dos lucros, já que os múltiplos P/L futuros subiram significativamente, enquanto os lucros aumentaram apenas 7,6% no período de dois anos.

Os recentes ganhos, fortemente concentrados em empresas de tecnologia de grande capitalização conhecidas como as "Sete Magníficas” foram impulsionados por tendências como a IA generativa e o fator de “momentum”, variáveis que geralmente prosperam em ambientes de ampla liquidez e condições financeiras favoráveis. No entanto, esse mercado movido por momentum apresenta riscos, pois avaliações infladas podem ser vulneráveis a mudanças na liquidez ou a políticas fiscais e monetárias mais rigorosas.

Reporte Morgan Stanley Janeiro 2025 sobre retornos em ações consideradas de Momentum.

Ao olharmos para 2025, o mercado de ações enfrenta um ponto de inflexão crucial, no qual os rumos da inflação, dos lucros e da política fiscal devem influenciar significativamente os retornos. Acreditamos que devemos seguir com uma abordagem prudente, colocando forte ênfase na qualidade de crédito em renda fixa enquanto mantemos nossa exposição a ações abaixo da média histórica, aguardando oportunidades mais interessantes. Imaginamos que 2025 será um ano crucial para que as expectativas de consenso construídas nos últimos dois anos sejam entregues em resultados.

Expectativas para o final de 2025 da Morgan Stanley, reporte de Janeiro de 2025.

Continuamos atentos às vulnerabilidades indicadas pelo nosso monitoramento macroeconômico, permanecendo alertas para possíveis flutuações e mudanças no sentimento do mercado.

Expectativas para o ano de 2025. Reporte da UBS, Novembro de 2024.